Perguntas Frequentes

Cannabis e Tratamento

A dose de canabinoides administrada aos pacientes é individualizada, ao contrário do que ocorre com a maioria doa tratamentos convencionais. Na medicina tradicional, as doses são baseadas em protocolos e calculadas por peso ou algum outro parâmetro. Na medicina canabinoides doses baixas são iniciadas e em geral, semanalmente, ajustadas. Existem pacientes que encontram efeitos terapêuticos com doses altas sem efeitos adversos e existem pacientes que tomam doses de cerca de 1mg e possuem efeitos terapêuticos. Recomenda-se utilizar as doses mais baixas e ir aumentando ou diminuindo até achar a dose mais efetiva para o paciente, e, caso sofra efeitos adversos diminuir.
Sim, alguns compostos químicos presentes na cannabis como o CBD e o THC podem interferir na metabolização de outros medicamentos assim podendo haver riscos. Exemplo: varfarina, antipsicóticos, antidepressivos.
O sistema endocanabinoide tem sido descrito e pesquisado nos últimos 30 anos. O corpo humano apresenta receptores para canabinoides endógenos , onde os fitocanabinoides (da planta Cannabis-canabinoides e terpenos) se ligam (CB1 expresso principalmente no cérebro e CB2 mais expresso no restante do corpo e no sistema imune) e por meio dessas ligações apresentam os efeitos pelo corpo. O corpo humano também naturalmente produz endocannabinoides como o 2-AG e a anandamida, sendo que alguns canabinoides como o CBD tem capacidade de aumentar a oferta deles no nosso corpo.
Em diversos casos a Cannabis se apresenta como uma alternativa aos tratamentos convencionais, devido ao fato de apresentar menos efeitos colaterais do que muitos fármacos disponíveis no mercado. A Cannabis apresenta o potencial de poder substituir medicamentos para dor como os opioides e fármacos para transtornos psiquiátricos e neurológicos tais como benzodiazepínicos, antipsicóticos, antidepressivos etc.
THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol) são moléculas presentes nas glândulas dos tricomas das plantas de Cannabis e fazem parte do fitocomplexo da planta junto com os outros canabinoides e terpenos presentes. Já foram identificados mais de 130 canabinoides, mas os mais estudados são o THC e o CBD. O CBD apresenta ações antioxidante, neuroprotetora, anti-inflamatória, antipsicótica, ansiolítica, anticonvulsivante, antidepressiva, antitumoral e anticancerígena. Já o THC apresenta efeitos psicotrópicos (levando a euforia ou “barato”), analgésicos, antiemético, anticonvulsivante, neuroprotetor e anticancerígeno. Ambos apresentam efeitos terapêuticos, porém o uso isolado dos dois já se provou menos eficaz que o uso de um extrato que possua ambos + os canabinoides e terpenos da planta (chamado de efeito entourage ou comitiva).
Os grupos de risco para o uso de cannabis como tratamento são: Pacientes cardíacos (que devem evitar altas doses de THC) Pessoas alérgicas a Cannabis Pacientes hipotensos (evitar doses altas de CBD)e hipertensos Portadores de doenças psicóticas (evitar doses altas de THC) Portadores de doenças psiquiátricas ( a critério médico) Pacientes com pré-disposição para esquizofrenia (evitar THC sem CBD) Gestantes e lactantes Crianças e adolescentes (evitar doses altas de THC)
Apesar de ser existir uma extensa literatura que comprove a eficácia do tratamento com Cannabis e relatos de inúmeros pacientes que tiveram melhora de seus males, existem poucos estudos clínicos controlados ao redor do mundo. Em especial, no Brasil o estudo da planta é bastante limitado devido à proibição do cultivo para fins científicos e medicinais. Por conta disso, vimos a necessidade de uma instituição como a SBEC para continuar estudando e atualizando profissionais sobre esse “novo-velho” tratamento com Cannabis.
Não é possível ter uma superdose fatal ao consumir canabinoides, contudo é possível ter uma intoxicação devido ao consumo de grandes quantidades de canabinoides podendo levar a taquicardia, ataques de pânico, paranoia, pensamentos suicidas, náusea e vômito, dor de cabeça, letargia etc. Esses efeitos são tanto maiores quanto menos experiencia a pessoa tiver com a cannabis e quando as doses não são iniciadas aos poucos e com acompanhamento médico. O uso bem indicado e acompanhado por um profissional, dificilmente levará a efeitos adversos graves.
Tanto cânhamo como Cannabis são variedades de Cannabis. Convencionou-se chamar de cânhamo as plantas com maiores quantidades de CBD e quantidades inferiores de THC (até 0,3%). Ele foi muito utilizado para a produção de artigos industriais e mais recentemente, produtos medicinais. É conhecido também aqui no Brasil como Liamba. As plantas de Cannabis que possuem maiores concentrações de THC são mais conhecidas como maconha ou marijuana. As plantas que continham mais CBD derivavam mais das espécies indica enquanto as plantas com mais THC derivaram das linhagens sativa. Atualmente, essas diferenciações são confusas por conta de clonagens e misturas genéticas de modo que o ideal é conhecer o tipo de cannabis que a pessoa está usando e pesquisar sua genética para saber se produz mais CBD ou THC.
Os canabinoides presentes na planta são moléculas que ficam aderidas aos tricomas glandulares da planta que se encontram em maior escala em suas flores, podendo ser encontrados em algumas folhas e caule, porém em uma quantidade bem menor. As folhas podem ser consumidas em saladas e o THCA (forma ácida ou “crua” do THC também tem propriedades terapêuticas, assim como o CBDA. Outra propriedade dos canabinoides é que são muito bem dissolvidos em lipídios, mas não em água, logo realizar uma infusão deles (chá) não os extrai adequadamente, reduzindo seu efeito terapêutico. Entretanto, tomar chá de cannabis faz parte de diversas culturas com aparentemente algum benefício terapêutico. Outro ponto importante é que os canabinoides na planta são encontrados em sua forma ácida (THC-A, CBD-A, CBG-A etc.) e para que se transformem na forma “ativa” (CBD e THC) é necessário descarboxilar a planta utilizando o calor. Embora as formas ácidas também tenham valor terapêutico, e sejam encontradas nos produtos artesanais “crus”, os óleos importados possuem as formas descarboxiladas.
Cannabis em geral não causa dependência, entretanto, as formulações com predomínio de THC podem causar tolerância, com redução de efeito e o mesmo pode ocorrer com produtos artesanais “crus”. Dessa forma, na medicina canabinoide, é comum usar várias formas de administração (por exemplo, óleo, vaporização, pomadas) e variedades diferentes, de forma a reduzir a chance dessa “perda de efeito”. Mesmo que você não tenha acesso a variedades de cannabis, caso ocorra essa perda de efeito, é possível suspender o óleo por uma semana e depois reintroduzir. Em geral esse procedimento é eficaz para que o óleo volte a ter se efeito inicial.
Atualmente existem duas opções: produtos nacionais ou produtos importados. Enquanto não entrarem em vigor as RDC 327/2019 e a RDC 17/2020 que regulamentam o registro de produtos derivados de cannabis no Brasil e a flexibilização das normas de importação, o passo é cadastro no site da Anvisa para obter a autorização e depois de autorizada, proceder à importação. Depois que essas RDC entrarem em vigor, bastará o cadastro na Anvisa e a compra direto das importadoras ou a compra dos produtos que estiverem disponíveis nas farmácias nacionais. Os produtos nacionais atualmente legalizados são o Mevatyl (disponíveis nas farmácias medicante prescrição médica) ou os produtos artesanais da ABRACE Esperança () .
Aqui no site da SBEC temos listas de prescritores e existem vários sites que também divulgam listas de prescritores, tais como o site da Abrace, o site Dr Cannabis, e sites de importadoras. Mande suas perguntas, dúvidas e sugestões. Nosso site está em permanente atualização!